domingo, 25 de outubro de 2009

O FAMOSO POUSO POR INSTRUMENTOS

Já nos acostumamos a ouvir pelo rádio ou pela TV que "tal aeroporto está operando por instrumentos". Imediatamente entendemos que a meteorologia não está muito amiga e a visibilidade está prejudicando as operações aéreas. Mas, exatamente, como os tais "instrumentos" põem no solo o avião de um piloto que praticamente nada está vendo abaixo de si?

Pousos por instrumentos são necessários em condições de visibilidade precária. Na verdade os pousos completamente por instrumentos, com a chamada "visibilidade zero" e automação completa só são realizados em muito poucos aeroportos no mundo. No Brasil, embora o sistema conhecido por GPS (Global Positioning System), navegação com o uso de satélites, já esteja em testes como auxílio para as aproximações de aeroportos, ainda dependemos, e muito, do velho mas preciso sistema ILS (Instrument Landing System). Ele se divide em três categorias, de acordo com a precisão relacionada à visibilidade: em Congonhas, por exemplo, a Categoria é a I e permite que a aeronave se aproxime até uma visibilidade de 60 m de altura e 800 m de distância da pista, quando ela deverá ser avistada. Em Guarulhos e no Galeão, a Categoria II permite respectivamente 30m e 400. No Brasil ainda não há aeroportos operando a Cat.III, através da qual pousa-se com visibilidade mínima.

O ILS emite duas faixas ou sinais de rádio independentes. São as chamadas "localizer", a que indica se o avião está à direita ou à esquerda do eixo (meio, em relação à sua largura) da pista e "glide slope", ou simplesmente "glide", que fornece uma "rampa" invisível, um perfil pelo qual a aeronave descerá até chegar à pista. Dentre os inúmeros "reloginhos" que um avião tem em seu painel, as faixas do ILS podem ser captadas pelo mostrador HSI (Horizontal Situation Indicatior) geralmente usado para o VOR (Very High Frequency Omnidirectional Range), instrumento utilizado principalmente em navegação e, neste caso, o avião estará "full ILS" (ou seja: com o "localizer"centrado e na rampa do "glide slope") quando a barra do VOR estiver centralizada (avião no eixo da pista) e duas barras e um triângulo estiverem centralizadas com o horizonte do "horizonte artificial" (outro "reloginho" famoso...) Pode haver também mostradores específicos que compõem-se de duas barras, uma horizontal e outra vertical, que cruzam-se entre si e, no caso de "full ILS" formam uma cruz centralizada no meio do mostrador: se a barra do "localizer" (vertical), por exemplo, vai para a direita, o avião curva para o mesmo lado para trazê-la para o centro. Se a barra do "glide" desce, o avião também terá de descer, para reinterceptá-la, e vice-versa.

O sistema também dispõe de "radiofaróis" chamados "marcadores" como auxílio. O "marcador externo" localiza-se a cinco milhas náuticas (cada milha náutica equivale a 1.852 m) da cabeceira da pista; o "marcador médio", a meia milha náutica e em alguns casos pode haver também o "marcador interno", na própria pista. Emitem sinais de rádio verticalmente para cima (estão localizados no solo) Servem para fornecer uma indicação de distância da pista. À medida que o avião desce pelo "glide", balizado também pelo "localizer", ao passar pelo "marcador externo", uma luz azul acende, no painel da cabine de comando, acompanhada de um aviso sonoro; depois, passando pelo médio, a luz é âmbar e também há um sinal sonoro indicativo. Havendo "marcador interno", a luz será branca. Como em todas as operações efetuadas "por instrumentos", os pousos por ILS também são especificados por "cartas" onde pode-se encontrar o perfil da descida e a altura (distância a partir do solo) em que a aeronave deverá estar passando pelos marcadores -- nesse momento os pilotos podem comparar se o "glide" no qual estão descendo encaixa-se à altura prevista para cruzamento dos marcadores.

O ILS pode ser usado acoplado ao piloto automático ou sob controle manual. O controle manual é preferível em caso de ventos muito fortes nas proximidades da pista. Num ou noutro caso, os passageiros podem ficar sossegados e a má visibilidade não impedirá sua chegada ao destino. A não ser, é claro, que esteja "abaixo dos mínimos", quando a aeronave será obrigada a descer um pouco mais longe do que se previa...
Solange Galante
Jornalista Especialista em Aviação

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